domingo, 24 de outubro de 2010

Uma aula de arquitetura verde

Depois de seis anos no Reino Unido, estudante brasileira vira professora e ensina britânicos a construir sem devastar

Edson Franco

Confira o vídeo:

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SAIU DO PAPEL


A professora doutora Lucélia Rodrigues nas obras da


Nottingham House em Madri, construída por seus estudantes

A partir de 2016, as edificações erguidas no Reino Unido deverão ter emissão zero de carbono. Para atingir a meta, os britânicos têm muito que aprender sobre construção sustentável. Algumas lições estão sendo desenvolvidas e ministradas em sala de aula pela arquiteta paulistana Lucélia Taranto Rodrigues.

Formada pela Universidade Mackenzie em 1999, ela passou a se interessar por sustentabilidade na empresa em que trabalhou nos cinco anos seguintes. “Veio a vontade de fazer pós em arquitetura sustentável, mas não havia oportunidades no Brasil. Os melhores cursos eram na Inglaterra e na Alemanha”, diz Lucélia. Sem ter como pagar mais de mil libras por mês, procurou o Chevening, programa de bolsas do governo britânico. Entre dois mil inscritos da América Latina, ela ficou entre os 35 aprovados e foi para a Universidade de Nottingham.

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PASSO ADIANTE


Mais do que apenas uma casa, a Nottingham House foi projetada para


facilitar a construção de uma comunidade sustentável

“O interesse em sustentabilidade me ajudou a obter a vaga.” Certamente, seu conhecimento de inglês não foi decisivo. Ela lembra que, numa das primeiras aulas, uma palavra era frequentemente dita pelo professor. De volta ao alojamento onde morava, descobriu no dicionário que “heat” significa calor. Aprendeu rapidamente, seguiu o mestrado e, como trabalho de conclusão, desenvolveu uma casa. O projeto foi tão bem recebido que uma empresa resolveu bancar a concretização da ideia. Nascia a casa que integrou o projeto de energia criativa da universidade. Foi o passaporte para que Lucélia fizesse o doutorado ali. O resultado: mais uma casa. De novo, o trabalho atraiu empresas interessadas em tirá-lo do papel.

Já corria o ano de 2008, e a volta ao Brasil teve de ser adiada: a Universidade de Nottingham abriu uma vaga para professor. E ela deixou os concorrentes para trás. É a partir das salas de aula que ela ajudará os britânicos a cumprir a lei em 2016. Hoje, ainda não é possível construir com emissão zero de carbono. “Sempre há alguma. Mas a conta tem de contemplar a vida útil do imóvel, o desenho e a escolha de materiais”, ensina Lucélia. As aulas de arquitetura sustentável jamais poderão abrir mão da matemática.

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Fonte: Revista Isto é

Um salão cada vez mais verde. E chinês

Na edição em que comemora 50 anos, o Salão do Automóvel de São Paulo é invadido por híbridos e asiáticos

André Julião

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EXPECTATIVA
Uma das estrelas do evento, o Fusion híbrido chega às lojas
em novembro. Abaixo, os preparativos no Anhembi

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Na edição em que comemora 50 anos, o Salão do Automóvel de São Paulo vive um momento histórico. Não é a primeira vez que carros híbridos são exibidos, mas nunca antes eles passaram a ser vendidos no Brasil logo após o evento, como acontece agora. Outro fato marcante é que entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro – período em que fica aberto ao público – o pavilhão de exposições do Anhembi será ocupado por uma verdadeira invasão chinesa. Seis fabricantes vão exibir seus lançamentos, que prometem chegar com força na competição com os produzidos no País.

Pelo menos cinco híbridos que chegarão às revendas por aqui nos próximos meses estarão no salão. São veículos que usam, além de um motor a combustão (normalmente a gasolina ou diesel), um outro elétrico, movido a baterias de íons de lítio. Além de poluírem menos, são mais econômicos. O primeiro a ser vendido em território nacional foi o Mercedes S 400 Hybrid, um importado que desde maio já teve 20 unidades vendidas a R$ 433 mil. A redução no consumo de combustível é de 20% e as emissões de CO2 são reduzidas em 21% em relação a um semelhante movido puramente a gasolina.

A maior novidade que sai direto do salão para as concessionárias é o Ford Fusion Hybrid. Comercializado a partir de novembro, ele utiliza exclusivamente o motor elétrico para se mover, sendo que o motor a combustão só é acionado se o motorista quiser mais velocidade ou se for preciso recarregar a bateria. Isso faz com que ele tenha uma potência de 191 cavalos e consuma a mesma quantidade de combustível que um carro 1.0. Fabricado no México, chega aqui por R$ 134 mil.

Os preços ainda são salgados, mas é só uma questão de tempo até que a tecnologia híbrida se torne mais barata e eficiente. Todas as montadoras dos EUA, Europa e Japão investem atualmente em produtos com apelo ecológico. No salão, gigantes como Honda, Porsche, Mitsubishi e mesmo a emergente chinesa JAC também trazem seus modelos movidos a bateria e combustão. A Mitsubishi, porém, vai mais longe. Além do híbrido PX – MiEV, a japonesa traz o i-MiEV, primeiro carro totalmente elétrico feito em série por uma grande montadora. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dar uma volta no veículo, no Palácio do Planalto. “Tenho defendido a ideia de que o Brasil é quase invencível nessa disputa por novos produtos menos poluentes”, declarou Lula na ocasião.

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O i-MiEV já é comercializado no Japão, na Inglaterra, na Alemanha, no Canadá e na Austrália. A previsão da Mitsubishi é que sejam produzidas 15 mil unidades em 2011, e que até 2013 o automóvel seja vendido no mundo inteiro, inclusive no Brasil. O carro chega a 130 quilômetros por hora e tem autonomia de 160 quilômetros. “Ele é feito essencialmente para circular dentro da cidade”, explica Fabio Maggion, engenheiro responsável pela linha de veículos elétricos da Mitsubishi no País.

Entre os chineses, apenas a JAC chega com um modelo ecologicamente amigável, a versão híbrida do sedã J5. No total, o país traz 30 lançamentos. São picapes médias, SUVs, sedãs de luxo e compactos, que prometem ter os preços mais baixos do mercado, como o Chery QQ. Outro destaque é o Lifan 320, uma imitação do Mini Cooper, com acabamento menos sofisticado e cerca de um terço do preço.

A chegada cada vez mais agressiva das montadoras chinesas é um sintoma do virtuoso crescimento da indústria de automóveis daquele país. Vinte anos atrás, os veículos produzidos por lá não passavam de 5,5 milhões por ano. Apenas em 2010, 16 milhões de automóveis chegarão às concessionárias. E a Chery anunciou ainda investimentos de R$ 400 milhões para construir uma fábrica no interior de São Paulo. A Great Wall, apesar de não participar desta edição do salão, também planeja instalar uma linha de produção no País.

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GENÉRICO
O chinês Lifan 320 imita o Mini Cooper,
mas custa um terço do preço do inglês

É claro que as 600 mil pessoas que devem passar pelo Anhembi nos 12 dias de evento terão muito mais para ver além de carros ecológicos e chineses. Entre os 450 expostos, as atenções ainda devem se voltar para badalados tradicionais, como Ferrari, Lamborghini, Maserati, Audi e Bentley, entre tantos outros. No quesito velocidade e preço, no entanto, o Bugatti Veyron Grand Sport é imbatível. Ele vai de 0 a 100 qui­lômetros por hora em 2,5 segundos. Em sua aceleração máxima, alcança incríveis 407 quilômetros por hora. Isso faz dele o modelo mais caro exposto no salão: R$ 8 milhões.

Com o crescimento da economia brasileira, modelos top de linha podem ser cada vez mais comuns nas ruas e estradas nacionais. “O consumidor brasileiro sempre teve um fascínio por veículos de um modo geral”, diz Juan Pablo De Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento. “A indústria brasileira e o salão, ao longo dos anos, sempre procuraram atender a esse desejo do consumidor.” As próximas edições do evento vão mostrar se o apelo dos carros ecológicos – e por que não chineses – também vai aumentar.

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Colaboraram: Ana Flávia Furlan, Flavio R. Silveira e Rafael A. Freire, da revista MOTOR SHOW

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Fonte: Revista Isto é

O Brasil acelera

O PIB é revisto para cima e uma enxurrada de investimentos dá o tom de uma fase de expansão inédita no País. Quais as condições dadas pelos dois candidatos para que esse ciclo não pare?
Amauri Segalla e Adriana Nicacio

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R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções


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Na semana passada, saíram as novas projeções para o crescimento do Brasil em 2010. De acordo com estimativas do governo, de consultorias especializadas e de organizações como o Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode aumentar até 8% em 2010. Se o número se confirmar – e é muito provável que se confirme –, significará o maior salto econômico em três décadas. Sob qualquer ponto de vista, trata-se de um resultado extraordinário. Entre os emergentes, é a terceira melhor marca, atrás apenas de China, imbatível nesse quesito, e Índia. Na comparação com a média de desempenho do PIB mundial (alta de 4,8% em 2010), o indicador brasileiro chega a ser quase duas vezes maior. Uma escalada dessa magnitude oferece a milhões de brasileiros um inédito campo de oportunidades. O Brasil vai gerar em 2010 algo como 2,5 milhões de empregos, quase um Uruguai inteiro. Até o fim do ano, o valor que a população vai gastar na compra de bens de consumo chegará a R$ 2,2 trilhões, uma disparada de 22% ante 2009. Não à toa, o varejo espera para dezembro o melhor Natal da história. No período, o comércio deve movimentar R$ 100 bilhões, o que vai exigir um aumento de 60% na compra de insumos e produtos importados para atender à brutal alta da demanda. Dados superlativos como esses fizeram com que o Brasil deixasse de exercer um papel coadjuvante no palco econômico global. Hoje, o País é uma potência planetária, capaz de influenciar no jogo de forças entre as nações. “O Brasil passou para a liderança do crescimento mundial”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia entrevista).

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Qualquer que seja o resultado das eleições, o próximo presidente terá uma imensa responsabilidade sobre seus ombros. O Brasil potência, algo sonhado por gerações, enfim se tornou uma realidade. Obviamente, há um longo caminho até o País eliminar por completo seus problemas, mas as recentes conquistas não podem ser obliteradas. “O maior desafio do Brasil é a sustentação do crescimento”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior, diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no FMI. “Depois de 20 anos, o nosso maior objetivo passou a ser o desenvolvimento”, afirma Roberto Padovani, economista e estrategista sênior do banco WestLB. Investidores internacionais já demonstraram preocupação quanto a um possível rompimento da política econômica atual. Na ótica desse grupo, um cenário de continuidade assegura a manutenção do inédito ciclo de expansão verificado no País.

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R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções


Nestes dias em que as discussões políticas estão exacerbadas, a questão econômica foi incorretamente deixada de lado, mas é ela que, afinal de contas, influi na vida das pessoas. É o aumento da renda, que desde 1990 cresceu 163% no País, que permite que os brasileiros comprem mais, realizem seus sonhos ou poupem para assegurar um futuro sem sobressaltos. Ao comprar mais ou guardar dinheiro no banco, os brasileiros proporcionam lucros para as empresas e instituições financeiras – que, capitalizadas, contratam mais, investem mais, geram riqueza para o País.

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“A General Motors vai investir R$ 2 bilhões no Brasil em 2011”
Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul


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Para a maioria dos analistas, existe uma diferença clara entre o desenvolvimento atual e o milagre econômico da década de 70 do século passado. Pela primeira vez, o crescimento não está associado à inflação (nos anos 1970, os preços subiam acima de dois dígitos a cada 12 meses. Em 2010, o índice inflacionário oficial deve ser de 5,2%). Com a estabilidade associada ao aumento da renda e à oferta abundante do crédito, o País deu novo fôlego ao seu mercado interno. Em poucos lugares do mundo a aviação cresce como no Brasil, em torno de 30% ao ano. Detalhe: na Europa, as maiores empresas do setor enfrentam uma crise sem precedentes e nos Estados Unidos espera-se um aumento inferior a 5% na venda de passagens em 2010. O mercado brasileiro é tão forte que a americana Boeing, em parceria com a Gol, decidiu instalar em Belo Horizonte seu centro de tecnologia e manutenção de aeronaves para todas as companhias da América Latina.

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30%
é quanto deve crescer o mercado aéreo brasileiro em 2010,
marca não repetida por nenhum outro país


Na indústria automobilística, a expansão do mercado brasileiro só pode ser comparada ao desempenho chinês. De janeiro a agosto de 2010, foram vendidos no País 2,077 milhões de carros, 8,4% a mais que no mesmo período de 2009. Como resultado, o Brasil alcançou um feito tão surpreendente quanto simbólico: ultrapassou no ranking mundial a Alemanha, país-sede de gigantes como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, e ficou atrás apenas de China, Estados Unidos e Japão. O interessante é que o mercado nacional não se destaca apenas no volume de vendas, mas também na qualidade do que é fabricado por aqui. Montadoras como General Motors e Fiat fizeram do Brasil uma plataforma mundial de desenvolvimento de produtos, que são inteiramente concebidos em território brasileiro para depois serem levados para a Europa e os Estados Unidos. Essa nova fase da indústria exige intensos aportes financeiros. Juntas, as principais fabricantes de carros instaladas no Brasil vão desembolsar cerca de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos no País, dinheiro que será revertido principalmente na ampliação e manutenção das plantas industriais. “Apenas em 2011 vamos investir R$ 2 bilhões no Brasil”, diz Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul.

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A pujança fez com que o Brasil passasse a ser cobiçado por investidores estrangeiros. A recente crise financeira global inverteu uma histórica equação no tabuleiro econômico mundial. Acredite: para uma corporação multinacional, tem sido mais fácil ganhar dinheiro no Brasil do que nos países de origem. Na semana passada, a Coca-Cola, a empresa mais globalizada do planeta, divulgou seu balanço. No terceiro trimestre de 2010, as vendas no Brasil cresceram 13% – mais do que em qualquer outro lugar onde a gigante de bebidas está presente. É covardia comparar a performance brasileira da companhia com o restante do mundo, que registrou alta de 5% nas vendas de refrigerantes. Empresas-símbolo em seus países faturam por aqui tanto quanto em suas próprias casas. A americana Avon igualou sua receita obtida no Brasil com o faturamento alcançado nos Estados Unidos. Nos dois casos, o número é de US$ 1,8 bilhão. Entre as 150 operações da alemã Nivea no mundo, a de melhor desempenho é a subsidiária brasileira. “Desde 1999 a economia brasileira faz as mesmas coisas em termos de combate à inflação e equilíbrio de contas públicas”, diz Robson Gonçalves, economista e professor da FGV Management. “Por isso, logo ficou claro que as regras do jogo são essas e que não vão mudar. Como resultado, as oportunidades de negócio no Brasil passaram a chamar a atenção de quem está lá fora.” Em 2003, o investimento direto estrangeiro no Brasil totalizou US$ 18,9 bilhões. Em 2010, esse número deve superar a marca dos US$ 30 bilhões.

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“O Brasil lidera o crescimento mundial”

Em entrevista exclusiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
diz que o Brasil serve de exemplo até para os Estados Unidos

Por Octávio Costa e Adriana Nicacio



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“A economia mundial vai crescer graças aos emergentes”



ISTOÉ – O Brasil é exceção no mundo em crise?
Guido Mantega – A América Latina é destaque na economia mundial, com o Brasil irradiando o crescimento para a Argentina, o Uruguai e outros países. Nós estamos importando de nossos vizinhos e estamos estimulando essas economias. Éramos o patinho feio. Ficávamos atrás dos emergentes, porque éramos o país da promessa. No semestre, nós crescemos 8,9%, a segunda maior evolução entre os países do G-20, atrás apenas da China. A economia mundial vai crescer 4,5% graças aos países emergentes chamados dinâmicos.


ISTOÉ – O Nobel Paul Krugman insiste para que os EUA tomem medidas de estímulo ao crescimento, como o Brasil. Há espaço para isso?
Mantega – Eu acho. Numa reunião do FMI, há duas semanas, eu falei para o Ben Bernanke, do FED, e o Timothy Geithner (secretário do Tesouro) que só a política monetária expansionista não resolve, porque a economia americana está apática. Não adianta colocar crédito. Se não há mercado, o empresário não toma o crédito. Eles baixam a taxa de juros, que está quase zero, o crédito fica empoçado e os investidores vêm para o Brasil. Lá eles ganham 0,36% por ano. Aqui, no mínimo, 10,75%. Os EUA têm que estimular a demanda como nós fizemos no Brasil.


ISTOÉ – Qual é a receita de crescimento do Brasil?
Mantega – O papel do Estado é muito importante. Temos que baratear o custo do financiamento. Nós fizemos várias leis, como a do crédito consignado, que facilita o acesso para o trabalhador. A alienação fiduciária também é importante, pois sem ela não haveria financiamento de automóvel. Aperfeiçoamos o setor de construção e estamos mantendo a isenção do IPI para material de construção, sem falar na política de desoneração do investimento, do consumo e da cesta básica. Aumentamos o investimento em infraestrutura. Foi fundamental a expansão do mercado interno. Crescemos com geração de emprego e investimos em agricultura familiar. O País era insignificante e hoje figura entre os líderes do crescimento mundial.


ISTOÉ – Qual foi o papel do mercado interno no crescimento?
Mantega – Sem dúvida, o Brasil é um dos poucos países onde há ascensão dos mais pobres. Criamos um mercado consumidor forte, com redução das classes mais baixas e aumento das classes C, B e A. É uma política que diminui o conflito social, porque o governo não está tirando do rico e dando para o pobre. Dá melhores condições para todas as classes. Em 2003, as classes A e B eram formadas por 13 milhões de pessoas. Em 2010, o total de brasileiros nessa faixa de renda pulou para 31 milhões. Nesse mesmo período, a população da classe C subiu de 66 milhões para 104 milhões. É impressionante. Mais de 50 milhões de pessoas subiram de classe social.


ISTOÉ – Como se explica a ascensão social?
Mantega – Colocamos o equivalente a uma França inteira em novos patamares de consumo. O que não conseguiríamos só com programas sociais nem com transferência de renda. Vocês sabem o que são 50 milhões de pessoas? A ordem é assim. Vem em primeiro lugar a criação de empregos. O Brasil já é, por exemplo, o segundo maior mercado da Nestlé. E começa a ser o segundo maior, o terceiro maior para uma série de empresas estrangeiras. A pesquisa do comércio varejista de agosto mostra um crescimento no mês de 2%. Se anualizarmos, haverá um crescimento de 24% no varejo. São números maiores do que os da China.
Fonte: Revista Isto é

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dia do Professor


Dia 15 de outubro de 2010 a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desportos do município de Tenório-PB, apoiada pela Prefeitura Municipal, ofereceu como evento de comemoração ao dia do mestre, uma seresta dançante e um coquetel. A festa aconteceu no Ginásio de Esporte e contou com a presença de autoridades, professores e professoras, além de convidados.

A todos nossa gratidão por juntos trabalharmos pela educação do cidadão tenorense que no presente prepare-se para que no futuro ponha em prática os seus saberes a seu bem pessoal, mas também de toda a sociedade.

Educar é uma caminhada árdua, mas gratificante. É muito bom ver nossos alunos tendo sucesso e lembrar que colaboramos para que o mesmo realizar-se.

Que Jesus, mestre dos mestres, continue nos dando sabedoria e coragem; para que assim continuemos fazendo o que Ele tanto fez: E D U C A R.

Vanildo Batista

Sec.edu de Tenório-PB

terça-feira, 5 de outubro de 2010

GE acende a luz no Brasil

A empresa deixa Miami, traz a sua sede regional para São Paulo e inaugura um centro de pesquisa no País

Por Crislaine Coscarelli

O mexicano Lionel Ramirez, 40 anos, presidente da General Electrics (GE) Iluminação para a América Latina, não teve muito tempo para se acostumar com Miami, nos EUA. Há dois anos ele se mudou para a cidade, sede da empresa na região latino-americana, para comandar suas operações. Mas ele nem esquentou a cadeira.

Não que esteja deixando a companhia. É que a GE Iluminação e seu principal executivo na região estão de mudança para São Paulo. “As oportunidades por aqui são gigantescas”, afirma Ramirez. “Para vencer é preciso ter uma operação local forte e o Brasil é o país que concentra as melhores oportunidades de crescimento”, diz à DINHEIRO Michael Petras, CEO mundial da GE Iluminação e chefe de Ramirez.
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Lionel Ramirez, presidente da GE Iluminação para a América Latina
Os números mostram como o País se tornou prioridade nos movimentos da companhia. Dos US$ 7,7 bilhões que o grupo GE faturou na América Latina, US$ 2,6 bilhões vieram do Brasil. E a operação brasileira deve dobrar de tamanho nos próximos anos, segundo a companhia. A divisão de iluminação, que possui cerca de 10% do mercado no País, quer pegar carona nesse movimento.
A empresa vai se concentrar em duas áreas: a iluminação dos estádios da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e a iluminação de ruas. “Estádios são uma grande oportunidade. Temos larga experiência nisso”, diz referindo-se a algumas arenas da África do Sul com a assinatura da companhia.
“Mas em um país com as proporções do Brasil, a iluminação pública tem um potencial ainda maior”, diz Petras, que prevê projetos da ordem de US$ 300 milhões nesse segmento. A GE já atua fortemente neste setor em território nacional. Exemplos recentes foram as novas iluminações do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e na rua Avanhandava, um corredor gastronômico em São Paulo.
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Michael Petras, CEO mundial da GE Iluminação
De acordo com a Eletrobrás, o País possui 15 milhões de pontos de iluminação pública e todos eles precisam de manutenção constante. É aí que a GE entra. “Com a questão da sustentabilidade, muitas lâmpadas terão de ser trocadas por modelos que consomem até 50% menos energia”, diz Ramirez. “Pretendemos participar dessa renovação.” Mas, para isso, terá de trazer inovação e, a julgar por suas ações, já está a caminho.
O Brasil receberá um centro de pesquisas da empresa, o quarto a ser instalado no mundo, mas que deve ser o segundo em tamanho, perdendo apenas para o de Nova York (EUA). Os investimentos iniciais no centro, que concentrará todas as operações do grupo GE, serão de US$ 150 milhões.
Ele faz parte de uma nova plataforma da GE, que foca cada vez mais em pesquisa, para evitar ser pega de surpresa novamente. Isso porque, há cerca de três anos, a divisão de lâmpadas da GE enfrentou uma crise mundial com a proibição da produção de modelos incandescentes na Austrália e Canadá.
Pior: isso seria estendido a outros países. A empresa então optou por fechar fábricas no mundo todo. No Brasil, a planta do Rio de Janeiro foi encerrada causando a demissão de cerca de 900 funcionários e a empresa parou de fabricar lâmpadas incandescentes.
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Só restou a fábrica de Contagem (MG) onde são produzidas lâmpadas fluorescentes. As incandescentes, ainda vendidas no País, são importadas de alguns países do Leste Europeu. “Foi um período complicado para nós. Fomos obrigados a reduzir fábricas de tamanho e fechar algumas.
Tivemos que nos livrar de uma tecnologia e mudar imediatamente para outra, mais sustentável. Aprendemos com o nosso passado e nos mantemos olhando para frente agora”, diz Petras. Hoje a empresa trabalha com vários modelos de lâmpadas mais econômicas, desde as fluorescentes até as que utilizam LED e consomem até 86% menos energia que as incandescentes. Apesar de radical, a estratégia de reposicionamento da GE foi acertada.
“Mesmo com todos os problemas que teve de enfrentar, a GE percebeu que esse era um caminho sem volta”, diz Sandro Marques, professor do curso de gestão da inovação da ESPM. “O fato de trazer um centro de pesquisas para o Brasil mostra mais uma vez que ela acompanha as tendências, nesse caso, a de redirecionar o eixo econômico e de pesquisa no mundo todo.”
Fonte: Revista Isto é Dinheiro

"Estamos passando por uma grande mudança na balança do poder”, diz Martin Wolf

O colunista chefe do “Financial Times” afirma que o G20 passa a ter mais importância do que G7 nas discussões econômicas e acredita que a China deve crescer por mais 15 anos

Por Viviane Maia
  Divulgação
Martin Wolf: crise mostrou o excesso de confiança do mercado

O mundo está vivendo uma gigante transformação. Na economia, a mudança pode ser constatada pelo maior peso das decisões do G20, grupo que reúne os principais países ricos e emergentes, frente ao G7, formado somente pelos países mais ricos do mundo.

“Estamos passando por uma grande mudança na balança do poder”, afirma Martin Wolf, colunista chefe do jornal Financial Times e um dos principais comentaristas de economia do mundo. “E essa mudança foi puxada pelos países emergentes”.

Para Wolf, as discussões envolvendo o papel do Estado na economia, ocorridas principalmente após a crise mundial, em setembro de 2008, marcam esse processo de transição na história. “Ao pensarmos no papel do governo e do Estado, percebemos que estamos em meio a um momento histórico de mudança tecnológica e econômica”, afirmou o jornalista, em apresentação na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. “O mundo está em um processo de mudança extraordinária e a nossa capacidade de percepção sobre isso ainda é muito limitada".

SAIBA MAIS

Mesmo definindo-se como “não especialista” sobre o Brasil, Martin Wolf disse que o país trabalha com um modelo híbrido de estado. “O Brasil tem um estado de bem-estar social, retratado pelos altos níveis de transferência de renda, mas ao mesmo tempo tem características desenvolvimentistas”, afirma Wolf. “Mas temos que pensar até que ponto esse modelo híbrido é sustentável?”, questiona o colunista.

Além da busca de um modelo de governança sustentável, o Brasil – assim como outros países – também passa por um processo de “choque trabalhista”. “O Brasil quadruplicou a oferta de mão de obra mas nem as empresas, tampouco o Estado, conseguem oferecer o que é necessário para aproveitar essa mão de obra da melhor forma, como infraestrutura, educação e segurança para todas essas pessoas. Isso pode afetar e muito o país”.

Crise
Para o jornalista, a crise só mostrou o excesso de confiança que existia no mercado e reforçou a importância da atuação do estado. “Tivemos um colapso enorme, um resgate urgente, que funcionou. Mas foi em função disso que o jogo de política mudou por completo.”

Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), que também participou do evento, completou que a crise evocou uma nova forma de pensar sobre o sistema financeiro e, sobretudo, fez com que a economia mundial voltasse a ter déficits fiscais gigantescos. “Todo o sucesso na redução da dívida pública na década de 70 foi revertido e, ao fim desta crise, teremos a dívida do setor público comparada ao que tínhamos na década de 50.”

China em alta
Na opinião de Wolf, o processo de globalização “permanece como o maior acontecimento da nossa era”. Um dos exemplos disso é o crescimento dos países asiáticos. “Há 30 anos, a Índia tinha um PIB per capita correspondente a 3% dos Estados Unidos. Hoje, está em 20%.”

A China é um capítulo a parte. O colunista do Financial Times afirma que o país deverá manter o ritmo de crescimento de forma acelerada por um longo período. “O dragão deve manter o ritmo anual de expansão econômica – perto dos 10% ao ano – por mais 15 anos”, afirma. No entanto, aponta como principal desafio dos chineses administrar a redução dos investimentos e substituí-los por consumo. Hoje, de acordo com o colunista, a China tem como principal enfoque a exportação e para manter esse crescimento econômico terá que "mudar a chave" e estimular o consumo próprio. “Em uma economia que conta com menos de 40% do PIB em consumo, essa transição será bem difícil. E não está claro como isso deve acontecer”.

Fonte: Revista Época.

Classe C impulsiona setor imobiliário, automotivo e de beleza

Pesquisa do Ibope mostra que 37% dos brasileiros da classe C planejam comprar imóvel nos próximos 12 meses

Por Elisa Campos
Claus Lehmann
Classe C é predominantemente jovem e afrodescendente
A classe C, hoje pouco mais da metade da população brasileira (100 milhões), representa ótimas oportunidades de negócio para o setor imobiliário, automotivo e de cuidados pessoais e beleza. Pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira (05/10) mostra que 37% dos brasileiros da classe C planejam comprar imóvel, enquanto 9,5 milhões pretendem adquirir um carro nos próximos 12 meses. O levantamento foi realizado com 32 milhões de entrevistados entre 12 e 64 anos, em nove regiões metropolitanas e no interior do Sul e do Sudeste.

+ Um mergulho na nova classe média

O sonho da aquisição da casa própria ficou mais próximo da classe C nos últimos anos. "O crédito imobiliário está bem mais acessível atualmente e irá crescer muito. A expectativa é que a concessão triplique nos próximos quatro anos", afirma Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia Brasil.

Além do setor imobiliário e automotivo, o de beleza também tem potencial de crescimento entre a nova classe média. O levantamento do Ibope revela que 75% da classe C está disposta a pagar mais por um produto de maior qualidade que possa melhorar sua aparência. A preocupação com o visual é muito grande para essa fatia da população. "A classe C gosta de parecer jovem e bem sucedida", diz Dora.

A grande expectativa de consumo está intimamente relacionada ao otimismo da nova classe média em relação à economia brasileira. Em 2005, 40% declararam estar melhor do que no ano anterior. Já em 2009, este percentual subiu para 50%. Em relação às perspectivas futuras, o otimismo também aumentou. Em 2005, 74% estavam otimistas com o próximo ano e, no ano passado, este percentual foi a 84%.

Nos próximos anos, a importância da classe C para as empresas só irá aumentar. "Até 2013, as classes AB crescerão 4% ao ano, enquanto as CDE, 8%. A classe C é a protagonista neste momento", afirma Dora.

Quem são

A nova classe média brasileira é predominantemente formada por jovens e afrodescendentes. Nesse universo, a mulher tem um papel mais importante do que nas classes de maior renda: 32% delas são chefes de família. Nos estratos AB, apenas 25% das mulheres chefiam a casa.

Em relação à educação, a maioria possui apenas o ensino médio completo e 23% afirmam falar outro idioma além do português. Do ponto de vista financeiro, ainda há muito espaço a ser
conquistado. Dos entrevistados, 39% dizem não saber nada sobre finanças e investimentos e 61% não gostam de tomar dívidas.

Como trunfo, no entanto, a classe C tem algo provavelmente invejado pelas demais: é mais magra. O estudo mostrou que a população da nova classe média tem menos problemas de peso em comparação com os mais ricos, em decorrência da dieta com menos excesso na alimentação, somada a mais mobilidade física. Apenas 27% da classe C (C1 - estrato mais rico da classe C) está acima do peso, contra 31% das classes AB (AB1 - estrato mais rico da
classificação). Nada mal, não?
Fonte: Revista Época.

Postagem em destaque

Capacitação para merendeiras e produtores de caju de Tenório-PB

              Nos dias 19 e 20 de setembro do ano em curso, aconteceu na Secretaria Municipal de Educação, Cultura...