sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lula perdeu chance de Nobel da Paz, diz alemão autor de: Brasil, País do Presente

http://f.i.uol.com.br/livraria/capas/images/10285401.jpegSugetsão: Gérsio Mutti

ARIADNE ARAÚJO
colaboração para a Livraria da Folha

A hora e a vez do Brasil? O mundo conhece o famoso postal brasileiro – carnaval, praias e futebol. Mas agora, algo destoa nessa imagem idílica de paraíso. Em vez de fazer samba e gols, o país concentra-se agora em outra ambição. A de entrar para ficar no clube seleto das novas potências econômicas do planeta. Nessa corrida, o Brasil aposta alto: é modelo na produção e consumo de combustíveis alternativos, grande fornecedor de matérias-primas, tem enorme potencial agropecuário, bancos sólidos e dá suas cartas na diplomacia mundial.

Entre incrédulo, assustado e interessado, o mundo acompanha de perto o boom brasileiro. Para os especialistas, a saúde econômica brasileira promete. De olho nesse novo cenário, o jornalista alemão Alexander Busch lançou “Brasil, País do Presente – O Poder Econômico do Gigante Verde” (Cultrix). Morando no Brasil há quase 2 décadas, ele diz que o país tem muitos trunfos para decolar, mas, a exemplo do que aconteceu nas empresas públicas e privadas, precisa dar um “salto de qualidade” também na sua política.

Mas há ainda algumas pedras no caminho do Brasil. Em entrevista à Livraria da Folha, Busch diz que manobras políticas mal pensadas, como a aproximação com o Irã e Cuba, tiraram de Lula a chance de ganhar o Prêmio Nobel da Paz e fizeram o país perder simpatizantes. Agora, o Brasil precisa urgente investir em segurança, educação e preparar mão de obra para o futuro que bate à porta.

Leia entrevista.

*

Livraria da Folha – No seu livro, o senhor diz que o tema Brasil como “potência” econômica e país “concorrente direto” de outros grandes europeus, como a Alemanha, não tem interessado muito aos alemães. Eles preferem o Brasil do carnaval, samba e futebol. No Brasil, no entanto, o seu livro encontrou forte interesse por parte do público. Como foi a recepção do seu livro aí na Alemanha?

Alexander Busch - Foi muito bem recebido. Confesso que fiquei um pouco incrédulo no início, pelo fato de ter sido publicado por lá há um ano, quando a economia da Alemanha ainda estava mergulhada em uma tremenda crise. Ninguém quis acreditar que um país como Brasil que por décadas era sinônimo de país emergente em crise, estava se saindo melhor do que todas as outras economias da Europa e dos EUA. Tenho a impressão de que meu livro ajudou a alertar o público na Alemanha sobre o potencial político e econômico do Brasil. Principalmente na política e na administração pública, onde negligenciaram o Brasil até recentemente. Este clichê do Brasil conhecido como o país do carnaval, samba e futebol que permanece na sociedade alemã e principalmente na mídia está mudando rapidamente. Há uma nova demanda de informação sobre o Brasil na Europa. Prova disto é que este livro será reeditado na Alemanha já em 2011.

Livraria da Folha – O senhor tem acompanhando o Brasil com olhos de jornalista europeu, conhecedor da questão América Latina. Na sua opinião, esse país que o senhor descreve no livro é “reconhecível” pela população brasileira? Ou seja, os brasileiros e empresas brasileiras (os atores econômicos) têm uma visão clara do que está acontecendo com o país?

Busch - É necessária uma breve explicação. Um jornalista estrangeiro, como qualquer observador de fora, tem a vantagem de poder acompanhar e descrever o desenvolvimento de uma sociedade ou economia com certo distanciamento. Não é melhor nem pior do que um observador local. O correspondente simplesmente vê o país de outro ângulo. É talvez comparável a um historiador que analisa um acontecimento do passado. Como correspondente, tento juntar as diferentes opiniões e interesses particulares na sociedade e descrever o que acontece num país em grandes linhas. No Brasil acontece uma coisa interessante: apesar das projeções aparentemente muito diferentes sobre o futuro do país, vejo uma surpreendente convergência de ideias no âmbito das empresas, na política e na sociedade. Uma visão bastante clara – como você está perguntando existe, em minha opinião, nas elites dos diferentes grupos da sociedade. Do Itamaraty até o sindicalismo, das empresas da indústria até agronegócio e as ONG ambientais eu não vejo tantas diferenças entre as visões deles em relação ao Brasil. Não existe uma grande divisão na sociedade brasileira como em outros países latino americanos. O Brasil é bastante admirado justamente por isso. O que mais atrapalha países como Venezuela ou Argentina são os grandes antagonismos dentro destas sociedades.

Livraria da Folha – O senhor cita no seu livro que o governo do Brasil, apesar da forte pressão mundial, não deu a devida atenção à questão ecológica ou “verde”. Também sabemos que parte importante e crescente do PIB do Brasil está sendo engolida pelos gastos da máquina governamental. Quais são, na sua opinião, os reais problemas que poderiam atrapalhar o Brasil nesse plano de crescimento e de “potência emergente”?

Busch - A péssima infraestrutura, a sobrevalorização do real, a pouca eficiência do Estado em providenciar implementos em setores como saúde, segurança e educação estes são alguns dos problemas que em curto prazo mais atrapalham o país como potência emergente. Nestes itens o governo melhorou muito pouco nos últimos anos. A respeito da questão ecológica, eu nem estou tão pessimista. Eu vejo um fortalecimento de temas verdes na sociedade, na mídia, na política e entre os empresários de uma rapidez surpreendente nos últimos dois, três anos. Claro que o governo Lula e os candidatos Dilma e Serra menosprezam a política verde até hoje mas eles receberam a conta no primeiro turno. Este potencial de eleitores verdes nenhum político esperto vai deixar de lado nas futuras eleições.

Livraria da Folha – O Brasil se prepara para ser uma potência econômica, mas como o senhor vê o problema da nossa educação de base, mais baixa que em países da Ásia? Sem prepararmos nossa mão de obra para um mundo horizontal, como poderemos dar o salto? Isso vai atrasar o país, comparando-se à velocidade dos outros?

Busch - Isso já está atrasando o país tremendamente agora. Eu não vejo o país crescer nas taxas projetadas de mais de uma média de 5% ao ano na próxima década. Porque faltam pessoas capacitadas suficientemente. É possível perceber que o desemprego nas faixas dos jovens entre 18 e 24 anos está crescendo e não diminuindo, apesar do crescimento e de muitas empresas buscando mão de obra. Outro exemplo é o projeto do pré-sal. Fala-se quase exclusivamente sobre as dificuldades de conseguir capital para investimento. Mas, em comparação, é muito mais fácil de conseguir dinheiro do que empregados bons. Nem falo da demanda não atendida de pesquisadores e engenheiros qualificados. É possível melhorar este panorama em relativamente pouco tempo, talvez em 5 a 10 anos. Mas precisamos de governos determinados, que vejam educação como prioridade absoluta. Até agora estes não existiam no Brasil ainda que o país já tenha tido e tenha excelentes profissionais e dirigentes no ramo da educação.

Livraria da Folha – O senhor acha que o protecionismo contra importações de outros países pode ajudar em curto prazo a economia brasileira, mas a longo prazo enfraquecê-la?

Busch - Sim, exatamente. Eu não vejo outro jeito da economia local se proteger contra as importações no curto prazo com este Real forte a não ser de uma cerca mais alta de impostos de importação e ajuda aos exportadores. Mas este novo protecionismo com certeza vai atrapalhar o desenvolvimento do país. Porque o que verdadeiramente atrapalha a capacidade de competição das empresas brasileiros é o que costumamos chamar de “Custo Brasil” ninguém vai mexer de novo se todo mundo se acomoda numa ilha protegida por protecionismo. Politicamente é sempre mais fácil aumentar imposto do que cortar custo. O custo que isto implica para a sociedade será alto: até hoje o mercado de consumo local está sendo muito mal servido pelas empresas apesar do forte aumento do poder aquisitivo. Não é possível que a maior parte dos produtos de consumo na Alemanha estejam mais baratos do que no Brasil, apesar das pessoas lá na Europa terem um salário médio bem mais alto do que os brasileiros. Isto não é apenas uma consequência do Real forte e dos altos impostos como governo e as empresas gostam de alegar. Já faz parte de um mercado protegido.

Livraria da Folha – Ao contrário da China, com projeto claro e ambicioso de “ganhar o jogo”, o Brasil tem tido boa dose de sorte nesse caminho de “potência”. Também somos “pacíficos”, burocráticos, parte de nosso sistema é corrupto e somos lentos demais para as mudanças. Como poderemos, assim, ganhar “essa corrida da globalização”, contando sempre com um “pouco de sorte” e sem uma boa estratégia?

Busch - A estratégia internacional do Brasil até recentemente foi a de não se intrometer nos assuntos internos de outros países. E jogar com os meios de um “soft power” através de uma diplomacia muito bem preparada. Foi uma estratégia adequada para a posição do Brasil no mundo por um bom tempo. Sorte também não faltou nos últimos anos e o governo soube muito bem aproveitá-la. Agora com a nova importância econômica do país na era da globalização, esta estratégia externa também tem que se adaptar. O governo Lula ensaiou algumas mudanças para um maior papel internacional recentemente. Não foram muito felizes em minha opinião, como no caso de Cuba e do Irã. Parecia uma desesperada tentativa de mostrar ao mundo que somos também importantes e não sempre os bons moços. Com isto, o Brasil perdeu simpatia no mundo. Não sei se o presidente Lula está ciente, mas eu penso que, com estas manobras mal pensadas, ele perdeu uma grande chance de ganhar o prêmio Nobel da Paz como o presidente que mais avançou no mundo em reduzir a pobreza num país democrático. Mas isto, no futuro, será apenas um detalhe na trajetória pessoal de Lula. Tenho esperança de que a política externa do Brasil seja guiada de novo na tradição preponderante das últimas décadas, mas, claro, ampliado na altura da crescente importância do país do mundo.

Livraria da Folha – Como a Europa, acompanha nossa eleição? Quais são os principais receios mencionados? Ou a confiança se mantém, independente de quem vença a eleição?

Busch - Esta eleição é de longe a mais observada na Europa desde que trabalho como correspondente no Brasil, ou seja, dos últimos quase 20 anos. Todos os meios da Alemanha mandaram equipes ou jornalistas renomados. Reportagens sobre Dilma e Lula até apareceram no jornal “Bild”, o maior tabloide da Alemanha, o que é muito difícil de acontecer. Nas reportagens em geral domina ainda a surpresa sobre o “Brasil que está dando certo”. Se vai ser o Serra ou a Dilma que presidirá o país a partir de 2011 não faz muito diferença nestas reportagens de destaque. Em geral, as eleições totalmente transparentes, limpas e rápidas são positivamente mencionadas.

Livraria da Folha – Alguma nova observação a mais sobre o tema geral do livro, que o senhor acrescentaria à edição, caso fosse possível?

Busch - Eu escrevi o livro em abril e maio de 2009 no auge da crise econômica mundial, que neste momento também ameaçou se alastrar no Brasil. Apesar de o tradutor Flávio Quintiliano e eu termos atualizado a edição para o Brasil, não é fácil acompanhar o ritmo das mudanças no país. As mudanças negativas na política internacional do Brasil, já mencionei na edição brasileira. Outro exemplo que mudou para o lado negativo é a crescente influência do Estado na economia. Eu vi no meu livro, como uma grande vantagem das empresas do Brasil, que o controle do universo deles está equilibrado entre o Estado, a iniciativa privada e o capital estrangeiro. Temo que o Estado, num governo parecido com o de Lula, aumentará o controle estatal além do equilíbrio. Isto vai diminuir a eficiência e aumentar a corrupção, sem dúvida. Por causa destas mudanças rápidas, a editora na Alemanha não quer apenas atualizar o livro, mas reeditá-lo. No ano que vem a nova posição do Brasil na economia mundial já será um fato, mas o menos consumido. Interessante agora será observar como e se o Brasil vai conseguir a segunda etapa do fortalecimento e se estabelecer como novo poder mundial. Tenho certeza de que esta segunda etapa será muito mais difícil do que a primeira. Mas tem boas chances de acontecer.

Fonte: Folha UOL Plano Brasil

domingo, 24 de outubro de 2010

Pedro II, o imperador viajante

Diários de viagens do monarca brasileiro compõem um retrato
do século XIX e recebem título de patrimônio da Memória do Mundo pela Unesco

Paula Rocha

chamada.jpg


ACERVO


Museu Imperial guarda cadernos, notas, cartas e jornais de Pedro II

Dom Pedro II era um homem de contradições. Alçado ao cargo de imperador com apenas 6 anos de idade, após a abdicação de seu pai, dom Pedro I, em 1831, assumiu de fato o poder aos 15, tornando-se o mais jovem governante que nosso país já teve. Educado desde cedo para ser um monarca, identificava-se muito mais com os intelectuais, nutrindo verdadeira paixão pelas letras, ciências e por conhecer novas culturas e tecnologias. Sua curiosidade levou-o a longas excursões feitas pelo Brasil e para o Exterior, incluindo passagens pela Europa, Norte da África e até Oriente Médio. Agora, o conjunto de registros e diários dessas viagens do imperador brasileiro acaba de ser reconhecido como patrimônio da Memória do Mundo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

“Trata-se da reafirmação da importância desses registros para a história da humanidade e do legado de dom Pedro II, que sempre acreditou no futuro do Brasil”, afirma Maurício Ferreira Júnior, diretor do Museu Imperial em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Responsável pela inscrição dos documentos para a avaliação da Unesco, o museu guarda 870 itens doados em 1948 pelo príncipe dom Pedro Gastão de Orleans e Bragança, que incluem os 43 cadernos pessoais do imperador, itinerários das viagens, correspondências, controles de visitas, relatórios de despesas, jornais e 67 gravuras de paisagens, pessoas e animais feitas pelo próprio Pedro II. “Nosso objetivo agora é captar recursos para a digitalização desses materiais, para a montagem de uma exposição e posterior publicação dos diários do imperador incluindo todos os elementos, como cartas e recortes de jornais”, conta Ferreira Júnior.

Em mais de 5.500 páginas manuscritas, dom Pedro II registrou em minúcias quatro viagens realizadas pelo Brasil e três ao Exterior. “As excursões brasileiras foram motivadas por questões políticas e pagas pela Casa Imperial”, explica Miriam Dolhnikoff, professora do departamento de história da Universidade de São Paulo (USP). “Já as internacionais foram meramente turísticas, mas bancadas tanto pelas finanças públicas quanto pelo próprio imperador”, completa. Pedro II deixou o País pela primeira vez em 1871 rumo à Europa e ao Egito, após a morte de sua filha Leopoldina em Viena, na Áustria. A ausência de 11 meses do monarca causou mal-estar entre a elite brasileira da época. “Fazia menos de um ano que a Guerra do Paraguai havia terminado e o Parlamento estava em guerra em torno da Lei do Ventre Livre”, diz Miriam A lei acabou aprovada no mesmo ano pela Assembleia-Geral e sancionada pela princesa Isabel, que, aos 24 anos, assumia o governo durante a excursão de seu pai.

img1.jpg


NO EGITO


Em 1872, o imperador (no detalhe) e sua


comitiva em frente à pirâmide de Gizé

A segunda viagem de dom Pedro II começou nos Estados Unidos em 1876. Lá o monarca compareceu à comemoração dos 100 anos da independência americana e deslumbrou-se com os avanços tecnológicos daquele país. Nessa ocasião conheceu Thomas Edison e Graham Bell, que havia inventado o telefone, e teria testado a nova invenção. Admirado com a engenhoca, fez questão de que o Brasil fosse um dos primeiros países do mundo a possuir um telefone. Depois, seguiu rumo ao Canadá, à Europa, incluindo a Turquia, o Egito novamente, e por fim chegou à região do Oriente Médio, onde visitou Síria, Líbano e Palestina, incluindo Jerusalém. Ao todo o imperador permaneceu um ano e seis meses entre paradas e percursos feitos de navio, trem e carruagem.

img.jpg


NO NAVIO


Dom Pedro II (no detalhe) em viagem à Europa


ao lado da esposa e de amigos

A última escapada para a Europa, em 1888, teve como principal motivo a recuperação de sua saúde. Sofrendo de graves febres em decorrência da diabetes, Pedro II foi aconselhado por seus médicos a passar um ano e dois meses na Europa, entre Alemanha, Itália e França. Segundo a antropóloga Lilian Schwarcz, autora da biografia “As Barbas do Imperador”, os relatos do monarca dos trópicos mostravam sua vontade de registrar tudo o que via e uma sede inesgotável de conhecimento. “Mais do que ser recebido por czares e reis, Pedro II gostava de conversar com as pessoas comuns, visitar escolas, igrejas, hospitais, fábricas e até prisões”, diz Lilian. “Seus diários são um retrato do século XIX através dos olhos de nosso imperador itinerante.”

G-dom-pedro.jpg

Fonte: Revista Isto é

Uma aula de arquitetura verde

Depois de seis anos no Reino Unido, estudante brasileira vira professora e ensina britânicos a construir sem devastar

Edson Franco

Confira o vídeo:

ArquiteturaSustentavel_site.jpg

img1.jpg


SAIU DO PAPEL


A professora doutora Lucélia Rodrigues nas obras da


Nottingham House em Madri, construída por seus estudantes

A partir de 2016, as edificações erguidas no Reino Unido deverão ter emissão zero de carbono. Para atingir a meta, os britânicos têm muito que aprender sobre construção sustentável. Algumas lições estão sendo desenvolvidas e ministradas em sala de aula pela arquiteta paulistana Lucélia Taranto Rodrigues.

Formada pela Universidade Mackenzie em 1999, ela passou a se interessar por sustentabilidade na empresa em que trabalhou nos cinco anos seguintes. “Veio a vontade de fazer pós em arquitetura sustentável, mas não havia oportunidades no Brasil. Os melhores cursos eram na Inglaterra e na Alemanha”, diz Lucélia. Sem ter como pagar mais de mil libras por mês, procurou o Chevening, programa de bolsas do governo britânico. Entre dois mil inscritos da América Latina, ela ficou entre os 35 aprovados e foi para a Universidade de Nottingham.

img.jpg


PASSO ADIANTE


Mais do que apenas uma casa, a Nottingham House foi projetada para


facilitar a construção de uma comunidade sustentável

“O interesse em sustentabilidade me ajudou a obter a vaga.” Certamente, seu conhecimento de inglês não foi decisivo. Ela lembra que, numa das primeiras aulas, uma palavra era frequentemente dita pelo professor. De volta ao alojamento onde morava, descobriu no dicionário que “heat” significa calor. Aprendeu rapidamente, seguiu o mestrado e, como trabalho de conclusão, desenvolveu uma casa. O projeto foi tão bem recebido que uma empresa resolveu bancar a concretização da ideia. Nascia a casa que integrou o projeto de energia criativa da universidade. Foi o passaporte para que Lucélia fizesse o doutorado ali. O resultado: mais uma casa. De novo, o trabalho atraiu empresas interessadas em tirá-lo do papel.

Já corria o ano de 2008, e a volta ao Brasil teve de ser adiada: a Universidade de Nottingham abriu uma vaga para professor. E ela deixou os concorrentes para trás. É a partir das salas de aula que ela ajudará os britânicos a cumprir a lei em 2016. Hoje, ainda não é possível construir com emissão zero de carbono. “Sempre há alguma. Mas a conta tem de contemplar a vida útil do imóvel, o desenho e a escolha de materiais”, ensina Lucélia. As aulas de arquitetura sustentável jamais poderão abrir mão da matemática.

g-casa-sustentavel.jpg


Fonte: Revista Isto é

Um salão cada vez mais verde. E chinês

Na edição em que comemora 50 anos, o Salão do Automóvel de São Paulo é invadido por híbridos e asiáticos

André Julião

chamada.jpg
EXPECTATIVA
Uma das estrelas do evento, o Fusion híbrido chega às lojas
em novembro. Abaixo, os preparativos no Anhembi

img2.jpg

Na edição em que comemora 50 anos, o Salão do Automóvel de São Paulo vive um momento histórico. Não é a primeira vez que carros híbridos são exibidos, mas nunca antes eles passaram a ser vendidos no Brasil logo após o evento, como acontece agora. Outro fato marcante é que entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro – período em que fica aberto ao público – o pavilhão de exposições do Anhembi será ocupado por uma verdadeira invasão chinesa. Seis fabricantes vão exibir seus lançamentos, que prometem chegar com força na competição com os produzidos no País.

Pelo menos cinco híbridos que chegarão às revendas por aqui nos próximos meses estarão no salão. São veículos que usam, além de um motor a combustão (normalmente a gasolina ou diesel), um outro elétrico, movido a baterias de íons de lítio. Além de poluírem menos, são mais econômicos. O primeiro a ser vendido em território nacional foi o Mercedes S 400 Hybrid, um importado que desde maio já teve 20 unidades vendidas a R$ 433 mil. A redução no consumo de combustível é de 20% e as emissões de CO2 são reduzidas em 21% em relação a um semelhante movido puramente a gasolina.

A maior novidade que sai direto do salão para as concessionárias é o Ford Fusion Hybrid. Comercializado a partir de novembro, ele utiliza exclusivamente o motor elétrico para se mover, sendo que o motor a combustão só é acionado se o motorista quiser mais velocidade ou se for preciso recarregar a bateria. Isso faz com que ele tenha uma potência de 191 cavalos e consuma a mesma quantidade de combustível que um carro 1.0. Fabricado no México, chega aqui por R$ 134 mil.

Os preços ainda são salgados, mas é só uma questão de tempo até que a tecnologia híbrida se torne mais barata e eficiente. Todas as montadoras dos EUA, Europa e Japão investem atualmente em produtos com apelo ecológico. No salão, gigantes como Honda, Porsche, Mitsubishi e mesmo a emergente chinesa JAC também trazem seus modelos movidos a bateria e combustão. A Mitsubishi, porém, vai mais longe. Além do híbrido PX – MiEV, a japonesa traz o i-MiEV, primeiro carro totalmente elétrico feito em série por uma grande montadora. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dar uma volta no veículo, no Palácio do Planalto. “Tenho defendido a ideia de que o Brasil é quase invencível nessa disputa por novos produtos menos poluentes”, declarou Lula na ocasião.

img.jpg

O i-MiEV já é comercializado no Japão, na Inglaterra, na Alemanha, no Canadá e na Austrália. A previsão da Mitsubishi é que sejam produzidas 15 mil unidades em 2011, e que até 2013 o automóvel seja vendido no mundo inteiro, inclusive no Brasil. O carro chega a 130 quilômetros por hora e tem autonomia de 160 quilômetros. “Ele é feito essencialmente para circular dentro da cidade”, explica Fabio Maggion, engenheiro responsável pela linha de veículos elétricos da Mitsubishi no País.

Entre os chineses, apenas a JAC chega com um modelo ecologicamente amigável, a versão híbrida do sedã J5. No total, o país traz 30 lançamentos. São picapes médias, SUVs, sedãs de luxo e compactos, que prometem ter os preços mais baixos do mercado, como o Chery QQ. Outro destaque é o Lifan 320, uma imitação do Mini Cooper, com acabamento menos sofisticado e cerca de um terço do preço.

A chegada cada vez mais agressiva das montadoras chinesas é um sintoma do virtuoso crescimento da indústria de automóveis daquele país. Vinte anos atrás, os veículos produzidos por lá não passavam de 5,5 milhões por ano. Apenas em 2010, 16 milhões de automóveis chegarão às concessionárias. E a Chery anunciou ainda investimentos de R$ 400 milhões para construir uma fábrica no interior de São Paulo. A Great Wall, apesar de não participar desta edição do salão, também planeja instalar uma linha de produção no País.

img1.jpg
GENÉRICO
O chinês Lifan 320 imita o Mini Cooper,
mas custa um terço do preço do inglês

É claro que as 600 mil pessoas que devem passar pelo Anhembi nos 12 dias de evento terão muito mais para ver além de carros ecológicos e chineses. Entre os 450 expostos, as atenções ainda devem se voltar para badalados tradicionais, como Ferrari, Lamborghini, Maserati, Audi e Bentley, entre tantos outros. No quesito velocidade e preço, no entanto, o Bugatti Veyron Grand Sport é imbatível. Ele vai de 0 a 100 qui­lômetros por hora em 2,5 segundos. Em sua aceleração máxima, alcança incríveis 407 quilômetros por hora. Isso faz dele o modelo mais caro exposto no salão: R$ 8 milhões.

Com o crescimento da economia brasileira, modelos top de linha podem ser cada vez mais comuns nas ruas e estradas nacionais. “O consumidor brasileiro sempre teve um fascínio por veículos de um modo geral”, diz Juan Pablo De Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento. “A indústria brasileira e o salão, ao longo dos anos, sempre procuraram atender a esse desejo do consumidor.” As próximas edições do evento vão mostrar se o apelo dos carros ecológicos – e por que não chineses – também vai aumentar.

G_CARROS.jpg

Colaboraram: Ana Flávia Furlan, Flavio R. Silveira e Rafael A. Freire, da revista MOTOR SHOW

img3.jpg

Fonte: Revista Isto é

O Brasil acelera

O PIB é revisto para cima e uma enxurrada de investimentos dá o tom de uma fase de expansão inédita no País. Quais as condições dadas pelos dois candidatos para que esse ciclo não pare?
Amauri Segalla e Adriana Nicacio

chamada.jpg
R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções


img3.jpg


selo.jpg


Na semana passada, saíram as novas projeções para o crescimento do Brasil em 2010. De acordo com estimativas do governo, de consultorias especializadas e de organizações como o Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode aumentar até 8% em 2010. Se o número se confirmar – e é muito provável que se confirme –, significará o maior salto econômico em três décadas. Sob qualquer ponto de vista, trata-se de um resultado extraordinário. Entre os emergentes, é a terceira melhor marca, atrás apenas de China, imbatível nesse quesito, e Índia. Na comparação com a média de desempenho do PIB mundial (alta de 4,8% em 2010), o indicador brasileiro chega a ser quase duas vezes maior. Uma escalada dessa magnitude oferece a milhões de brasileiros um inédito campo de oportunidades. O Brasil vai gerar em 2010 algo como 2,5 milhões de empregos, quase um Uruguai inteiro. Até o fim do ano, o valor que a população vai gastar na compra de bens de consumo chegará a R$ 2,2 trilhões, uma disparada de 22% ante 2009. Não à toa, o varejo espera para dezembro o melhor Natal da história. No período, o comércio deve movimentar R$ 100 bilhões, o que vai exigir um aumento de 60% na compra de insumos e produtos importados para atender à brutal alta da demanda. Dados superlativos como esses fizeram com que o Brasil deixasse de exercer um papel coadjuvante no palco econômico global. Hoje, o País é uma potência planetária, capaz de influenciar no jogo de forças entre as nações. “O Brasil passou para a liderança do crescimento mundial”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia entrevista).

G_PIB.jpg


Qualquer que seja o resultado das eleições, o próximo presidente terá uma imensa responsabilidade sobre seus ombros. O Brasil potência, algo sonhado por gerações, enfim se tornou uma realidade. Obviamente, há um longo caminho até o País eliminar por completo seus problemas, mas as recentes conquistas não podem ser obliteradas. “O maior desafio do Brasil é a sustentação do crescimento”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior, diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no FMI. “Depois de 20 anos, o nosso maior objetivo passou a ser o desenvolvimento”, afirma Roberto Padovani, economista e estrategista sênior do banco WestLB. Investidores internacionais já demonstraram preocupação quanto a um possível rompimento da política econômica atual. Na ótica desse grupo, um cenário de continuidade assegura a manutenção do inédito ciclo de expansão verificado no País.

img.jpg
R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções


Nestes dias em que as discussões políticas estão exacerbadas, a questão econômica foi incorretamente deixada de lado, mas é ela que, afinal de contas, influi na vida das pessoas. É o aumento da renda, que desde 1990 cresceu 163% no País, que permite que os brasileiros comprem mais, realizem seus sonhos ou poupem para assegurar um futuro sem sobressaltos. Ao comprar mais ou guardar dinheiro no banco, os brasileiros proporcionam lucros para as empresas e instituições financeiras – que, capitalizadas, contratam mais, investem mais, geram riqueza para o País.

img2.jpg
“A General Motors vai investir R$ 2 bilhões no Brasil em 2011”
Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul


G_Banco.jpg


Para a maioria dos analistas, existe uma diferença clara entre o desenvolvimento atual e o milagre econômico da década de 70 do século passado. Pela primeira vez, o crescimento não está associado à inflação (nos anos 1970, os preços subiam acima de dois dígitos a cada 12 meses. Em 2010, o índice inflacionário oficial deve ser de 5,2%). Com a estabilidade associada ao aumento da renda e à oferta abundante do crédito, o País deu novo fôlego ao seu mercado interno. Em poucos lugares do mundo a aviação cresce como no Brasil, em torno de 30% ao ano. Detalhe: na Europa, as maiores empresas do setor enfrentam uma crise sem precedentes e nos Estados Unidos espera-se um aumento inferior a 5% na venda de passagens em 2010. O mercado brasileiro é tão forte que a americana Boeing, em parceria com a Gol, decidiu instalar em Belo Horizonte seu centro de tecnologia e manutenção de aeronaves para todas as companhias da América Latina.

img1.jpg
30%
é quanto deve crescer o mercado aéreo brasileiro em 2010,
marca não repetida por nenhum outro país


Na indústria automobilística, a expansão do mercado brasileiro só pode ser comparada ao desempenho chinês. De janeiro a agosto de 2010, foram vendidos no País 2,077 milhões de carros, 8,4% a mais que no mesmo período de 2009. Como resultado, o Brasil alcançou um feito tão surpreendente quanto simbólico: ultrapassou no ranking mundial a Alemanha, país-sede de gigantes como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, e ficou atrás apenas de China, Estados Unidos e Japão. O interessante é que o mercado nacional não se destaca apenas no volume de vendas, mas também na qualidade do que é fabricado por aqui. Montadoras como General Motors e Fiat fizeram do Brasil uma plataforma mundial de desenvolvimento de produtos, que são inteiramente concebidos em território brasileiro para depois serem levados para a Europa e os Estados Unidos. Essa nova fase da indústria exige intensos aportes financeiros. Juntas, as principais fabricantes de carros instaladas no Brasil vão desembolsar cerca de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos no País, dinheiro que será revertido principalmente na ampliação e manutenção das plantas industriais. “Apenas em 2011 vamos investir R$ 2 bilhões no Brasil”, diz Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul.

G_cobica.jpg


A pujança fez com que o Brasil passasse a ser cobiçado por investidores estrangeiros. A recente crise financeira global inverteu uma histórica equação no tabuleiro econômico mundial. Acredite: para uma corporação multinacional, tem sido mais fácil ganhar dinheiro no Brasil do que nos países de origem. Na semana passada, a Coca-Cola, a empresa mais globalizada do planeta, divulgou seu balanço. No terceiro trimestre de 2010, as vendas no Brasil cresceram 13% – mais do que em qualquer outro lugar onde a gigante de bebidas está presente. É covardia comparar a performance brasileira da companhia com o restante do mundo, que registrou alta de 5% nas vendas de refrigerantes. Empresas-símbolo em seus países faturam por aqui tanto quanto em suas próprias casas. A americana Avon igualou sua receita obtida no Brasil com o faturamento alcançado nos Estados Unidos. Nos dois casos, o número é de US$ 1,8 bilhão. Entre as 150 operações da alemã Nivea no mundo, a de melhor desempenho é a subsidiária brasileira. “Desde 1999 a economia brasileira faz as mesmas coisas em termos de combate à inflação e equilíbrio de contas públicas”, diz Robson Gonçalves, economista e professor da FGV Management. “Por isso, logo ficou claro que as regras do jogo são essas e que não vão mudar. Como resultado, as oportunidades de negócio no Brasil passaram a chamar a atenção de quem está lá fora.” Em 2003, o investimento direto estrangeiro no Brasil totalizou US$ 18,9 bilhões. Em 2010, esse número deve superar a marca dos US$ 30 bilhões.

G_emprego.jpg



“O Brasil lidera o crescimento mundial”

Em entrevista exclusiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
diz que o Brasil serve de exemplo até para os Estados Unidos

Por Octávio Costa e Adriana Nicacio



img4.jpg
“A economia mundial vai crescer graças aos emergentes”



ISTOÉ – O Brasil é exceção no mundo em crise?
Guido Mantega – A América Latina é destaque na economia mundial, com o Brasil irradiando o crescimento para a Argentina, o Uruguai e outros países. Nós estamos importando de nossos vizinhos e estamos estimulando essas economias. Éramos o patinho feio. Ficávamos atrás dos emergentes, porque éramos o país da promessa. No semestre, nós crescemos 8,9%, a segunda maior evolução entre os países do G-20, atrás apenas da China. A economia mundial vai crescer 4,5% graças aos países emergentes chamados dinâmicos.


ISTOÉ – O Nobel Paul Krugman insiste para que os EUA tomem medidas de estímulo ao crescimento, como o Brasil. Há espaço para isso?
Mantega – Eu acho. Numa reunião do FMI, há duas semanas, eu falei para o Ben Bernanke, do FED, e o Timothy Geithner (secretário do Tesouro) que só a política monetária expansionista não resolve, porque a economia americana está apática. Não adianta colocar crédito. Se não há mercado, o empresário não toma o crédito. Eles baixam a taxa de juros, que está quase zero, o crédito fica empoçado e os investidores vêm para o Brasil. Lá eles ganham 0,36% por ano. Aqui, no mínimo, 10,75%. Os EUA têm que estimular a demanda como nós fizemos no Brasil.


ISTOÉ – Qual é a receita de crescimento do Brasil?
Mantega – O papel do Estado é muito importante. Temos que baratear o custo do financiamento. Nós fizemos várias leis, como a do crédito consignado, que facilita o acesso para o trabalhador. A alienação fiduciária também é importante, pois sem ela não haveria financiamento de automóvel. Aperfeiçoamos o setor de construção e estamos mantendo a isenção do IPI para material de construção, sem falar na política de desoneração do investimento, do consumo e da cesta básica. Aumentamos o investimento em infraestrutura. Foi fundamental a expansão do mercado interno. Crescemos com geração de emprego e investimos em agricultura familiar. O País era insignificante e hoje figura entre os líderes do crescimento mundial.


ISTOÉ – Qual foi o papel do mercado interno no crescimento?
Mantega – Sem dúvida, o Brasil é um dos poucos países onde há ascensão dos mais pobres. Criamos um mercado consumidor forte, com redução das classes mais baixas e aumento das classes C, B e A. É uma política que diminui o conflito social, porque o governo não está tirando do rico e dando para o pobre. Dá melhores condições para todas as classes. Em 2003, as classes A e B eram formadas por 13 milhões de pessoas. Em 2010, o total de brasileiros nessa faixa de renda pulou para 31 milhões. Nesse mesmo período, a população da classe C subiu de 66 milhões para 104 milhões. É impressionante. Mais de 50 milhões de pessoas subiram de classe social.


ISTOÉ – Como se explica a ascensão social?
Mantega – Colocamos o equivalente a uma França inteira em novos patamares de consumo. O que não conseguiríamos só com programas sociais nem com transferência de renda. Vocês sabem o que são 50 milhões de pessoas? A ordem é assim. Vem em primeiro lugar a criação de empregos. O Brasil já é, por exemplo, o segundo maior mercado da Nestlé. E começa a ser o segundo maior, o terceiro maior para uma série de empresas estrangeiras. A pesquisa do comércio varejista de agosto mostra um crescimento no mês de 2%. Se anualizarmos, haverá um crescimento de 24% no varejo. São números maiores do que os da China.
Fonte: Revista Isto é

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dia do Professor


Dia 15 de outubro de 2010 a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desportos do município de Tenório-PB, apoiada pela Prefeitura Municipal, ofereceu como evento de comemoração ao dia do mestre, uma seresta dançante e um coquetel. A festa aconteceu no Ginásio de Esporte e contou com a presença de autoridades, professores e professoras, além de convidados.

A todos nossa gratidão por juntos trabalharmos pela educação do cidadão tenorense que no presente prepare-se para que no futuro ponha em prática os seus saberes a seu bem pessoal, mas também de toda a sociedade.

Educar é uma caminhada árdua, mas gratificante. É muito bom ver nossos alunos tendo sucesso e lembrar que colaboramos para que o mesmo realizar-se.

Que Jesus, mestre dos mestres, continue nos dando sabedoria e coragem; para que assim continuemos fazendo o que Ele tanto fez: E D U C A R.

Vanildo Batista

Sec.edu de Tenório-PB

terça-feira, 5 de outubro de 2010

GE acende a luz no Brasil

A empresa deixa Miami, traz a sua sede regional para São Paulo e inaugura um centro de pesquisa no País

Por Crislaine Coscarelli

O mexicano Lionel Ramirez, 40 anos, presidente da General Electrics (GE) Iluminação para a América Latina, não teve muito tempo para se acostumar com Miami, nos EUA. Há dois anos ele se mudou para a cidade, sede da empresa na região latino-americana, para comandar suas operações. Mas ele nem esquentou a cadeira.

Não que esteja deixando a companhia. É que a GE Iluminação e seu principal executivo na região estão de mudança para São Paulo. “As oportunidades por aqui são gigantescas”, afirma Ramirez. “Para vencer é preciso ter uma operação local forte e o Brasil é o país que concentra as melhores oportunidades de crescimento”, diz à DINHEIRO Michael Petras, CEO mundial da GE Iluminação e chefe de Ramirez.
7.jpg
Lionel Ramirez, presidente da GE Iluminação para a América Latina
Os números mostram como o País se tornou prioridade nos movimentos da companhia. Dos US$ 7,7 bilhões que o grupo GE faturou na América Latina, US$ 2,6 bilhões vieram do Brasil. E a operação brasileira deve dobrar de tamanho nos próximos anos, segundo a companhia. A divisão de iluminação, que possui cerca de 10% do mercado no País, quer pegar carona nesse movimento.
A empresa vai se concentrar em duas áreas: a iluminação dos estádios da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e a iluminação de ruas. “Estádios são uma grande oportunidade. Temos larga experiência nisso”, diz referindo-se a algumas arenas da África do Sul com a assinatura da companhia.
“Mas em um país com as proporções do Brasil, a iluminação pública tem um potencial ainda maior”, diz Petras, que prevê projetos da ordem de US$ 300 milhões nesse segmento. A GE já atua fortemente neste setor em território nacional. Exemplos recentes foram as novas iluminações do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e na rua Avanhandava, um corredor gastronômico em São Paulo.
8.jpg
Michael Petras, CEO mundial da GE Iluminação
De acordo com a Eletrobrás, o País possui 15 milhões de pontos de iluminação pública e todos eles precisam de manutenção constante. É aí que a GE entra. “Com a questão da sustentabilidade, muitas lâmpadas terão de ser trocadas por modelos que consomem até 50% menos energia”, diz Ramirez. “Pretendemos participar dessa renovação.” Mas, para isso, terá de trazer inovação e, a julgar por suas ações, já está a caminho.
O Brasil receberá um centro de pesquisas da empresa, o quarto a ser instalado no mundo, mas que deve ser o segundo em tamanho, perdendo apenas para o de Nova York (EUA). Os investimentos iniciais no centro, que concentrará todas as operações do grupo GE, serão de US$ 150 milhões.
Ele faz parte de uma nova plataforma da GE, que foca cada vez mais em pesquisa, para evitar ser pega de surpresa novamente. Isso porque, há cerca de três anos, a divisão de lâmpadas da GE enfrentou uma crise mundial com a proibição da produção de modelos incandescentes na Austrália e Canadá.
Pior: isso seria estendido a outros países. A empresa então optou por fechar fábricas no mundo todo. No Brasil, a planta do Rio de Janeiro foi encerrada causando a demissão de cerca de 900 funcionários e a empresa parou de fabricar lâmpadas incandescentes.
9.jpg
Só restou a fábrica de Contagem (MG) onde são produzidas lâmpadas fluorescentes. As incandescentes, ainda vendidas no País, são importadas de alguns países do Leste Europeu. “Foi um período complicado para nós. Fomos obrigados a reduzir fábricas de tamanho e fechar algumas.
Tivemos que nos livrar de uma tecnologia e mudar imediatamente para outra, mais sustentável. Aprendemos com o nosso passado e nos mantemos olhando para frente agora”, diz Petras. Hoje a empresa trabalha com vários modelos de lâmpadas mais econômicas, desde as fluorescentes até as que utilizam LED e consomem até 86% menos energia que as incandescentes. Apesar de radical, a estratégia de reposicionamento da GE foi acertada.
“Mesmo com todos os problemas que teve de enfrentar, a GE percebeu que esse era um caminho sem volta”, diz Sandro Marques, professor do curso de gestão da inovação da ESPM. “O fato de trazer um centro de pesquisas para o Brasil mostra mais uma vez que ela acompanha as tendências, nesse caso, a de redirecionar o eixo econômico e de pesquisa no mundo todo.”
Fonte: Revista Isto é Dinheiro

Postagem em destaque

Capacitação para merendeiras e produtores de caju de Tenório-PB

              Nos dias 19 e 20 de setembro do ano em curso, aconteceu na Secretaria Municipal de Educação, Cultura...